Pensamentos e Divagações

domingo, 10 de maio de 2009

Ser famoso: necessidade ou excesso de ambição?

Vivemos num mundo que cultua as celebridades de tal a forma a transformá-las em verdadeiros ídolos, quase deuses. É notável que o jogador Ronaldo, hoje no Corinthians, é bem mais que um atleta para o povo brasileiro. É notável também a forma como são vistos ícones culturais, especialmente da música, no mundo inteiro. Eles são, de longe, mais do que músicos, percebe-se isso olhando para Britney Spears, Rihanna, entre vários outros. E esses são apenas alguns exemplos dentre os inúmeros possíveis de citar que vivem no círculo da fama do qual fazem parte além dos já citados atletas e cantores, também atores, políticos, apresentadores... A imprensa está aí, a todo momento divulgando celebridades, as quais são cultuadas pelo grande público graças a sua fama e prestígio. Mas devemos nós agir dessa forma?

A fama está diretamente ligada a ideia de ser conhecido pela massa, qualquer que seja o motivo e à forma como é encarada essa ideia. Ser famoso é algo almejado pela maioria das pessoas que fazem parte da sociedade atual. No entanto, ser famoso é algo tão importante ou simplesmente mais uma das ilusões supervalorizadas pela sociedade?

Pra responder esssa dúvida é necessário que se defina o conceito social dado a fama e a outras coisas similares, como o sucesso, o êxito, a obtenção de relevância, e o quanto todos esses conceitos estão ligados entre si.

Observe então um fragmento retirado da revista IstoÉ Gente (que eu achei na proposta de redação do vestibular VUNESP/2007) no qual o ator Pedro Cardoso (o Agostinho Carrara d'A Grande Família) fala sobre ser famoso:


IstoÉ Gente - Encontrou sucesso no teatro e ficou famoso na tevê. É bom ser famoso?
Pedro Cardoso - Gosto do sucesso, não gosto da fama. Quando minha imagem está vinculada ao meu trabalho, não há problema. Do contrário, é incômodo para a individualidade. Tenho horror a área vip. Você já me viu em algum lugar? Não, né? Eu não vou. Compro ingressos, entro na fila, vou onde todos vão. É ridículo ir a lugares vip. Num país como o Brasil, é falta de educação.


Analisando esse texto, conseguimos traçar uma linha, ainda que tênue, que separa dois conceitos fundamentais: o sucesso e a fama. A partir da resposta de Pedro Cardoso conclui-se que o sucesso está relacionado ao êxito, especialmente o profissional, obtido através de esforço e seriedade, enquanto que a fama é uma acessório supérfluo, o qual não devemos exaltar.

Vou insistir um pouco mais na diferenciação conceitual da fama e do sucesso, babando ovo tomando exemplos de pessoas apenas famosas, como os ex-BBBs, que pouco contribuem com a sociedade, seja influenciando pensamentos, seja através de ações que a beneficie, e de  outras bem sucedidas, relevantes como o blogueiro/jornalista/ex-Ra-Tim-Bum Marcelo Tas que através da mídia e de sua fama contribue para a formação de opinião de um grande público.

Voltando agora pra questão fundamental desse post, a necessidade/importãncia de ser famoso, vejamos médicos e pesquisadores. Alguém, do público leigo, sabe o nome de algum cientista brasileiro que trabalhe com pesquisas que busquem a cura ou ao menos a melhora doenças? Não, quase ninguém sabe e elas são muito mais relevantes e importantes para a melhoria da qualidade de vida e desenvolvimento da sociedade do que os ex-BBBs da vida.

Enfim, a fama vinda como produto do trabalho esforçado não é de todo mal, principalmente se usada de forma correta. Fugindo disso é totalmente dispensável e não deve, de forma alguma, ser exaltada.